Internet Trends 2018

O que você precisa saber sobre o principal relatório de tendências digitais, sob a ótica do marketing e da publicidade.

 

O mundo está cada vez mais conectado. Em 2018, a internet vai alcançar mais de 50% da população global, cerca de 3.6 bilhões de pessoas. Com o aumento da conectividade e da mobilidade, os internautas têm consumido cada vez mais conteúdos, principalmente vídeos. Para se ter uma ideia, em 2012 a população conectada assistia diariamente, em média, 5 minutos de vídeos por dia. Em 2018, o tempo médio saltou para 35 minutos.

Esses são apenas alguns dos muitos insights extraídos do relatório Internet Trends 2018, compilado pela venture capitalist Mary Meeker, da Kleiner Perkins.

O digital tem impacto cada vez maior nos negócios e na economia global, e a imensa quantidade de dados reproduzidos no relatório dão um panorama das tendências mais recentes.

A exemplo do ano passado, o time de inteligência e estratégia da Ginga compilou e analisou os principais pontos dos quase 300 slides da apresentação,  sobretudo aqueles que exercem maior impacto sobre o mercado de marketing digital. Vamos começar?


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1 / Tudo é Data-driven

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A todo momento, um volume gigantesco de informações é gerado no universo digital. Com o desenvolvimento cada vez mais avançado de ferramentas de big data analytics,  que fazem coleta e análise de dados, é possível organizar melhor esse grande volume de informações para transformá-lo em conhecimento valioso sobre comportamento de consumo e hábitos de vida das pessoas.

Segundo estudo do IDC inserido no Internet Trends, em 2025 cerca de 36% de todos os dados gerados no meio digital serão coletados, o equivalente a 163 zetabytes. É um número 10 vezes superior à coleta de dados de 2015, que registrou 12 zetabytes - cerca de 9% de tudo que foi gerado. (1 zetabyte equivale a 1 trilhão de gigabytes)

Saber usar os dados com inteligência (e responsabilidade) favorece a interação com os consumidores, principalmente em um momento em que as pessoas têm buscado informações cada vez mais informações personalizadas.

O termo near me nas pesquisas aumentou 900% entre 2015 e 2017. E esse impacto vai além da geolocalização. Há uma tendência crescente no uso dos termos for me e should I nas pesquisas. Como exemplo, Mary Meeker cita como a personalização das playlists e preferências musicais no Spotify elevaram o engajamento do público com a marca (de 37%, em 2014, para 44%, em 2017).

Enquanto, em média, as pessoas passam pelo menos 20 minutos por dia no Instagram ou no Snapchat, a Toutiao supera as duas redes sociais com a entrega de informações personalizadas pelo seu aplicativo. Cada usuário gasta, em média, mais de 70 minutos diariamente usando o app chinês.

O que isso quer dizer para as marcas?

Apesar das discussões atuais sobre privacidade e proteção de dados, as pessoas estão, sim, dispostas a compartilhar suas informações e se comunicarem com as marcas, caso enxerguem benefício real na troca. Para que as marcas consigam estabelecer essa conexão com as pessoas, é preciso ir além da coleta de dados, investindo em análise, segmentação e personalização das informações e serviços. Afinal, são os dados que determinam preferências, interações e dimensionam por que os usuários gostam (ou não) da sua marca.

Por isso mesmo, urge a necessidade das empresas se tornarem cada vez mais data-driven. A partir dos dados, elas podem tomar decisões estratégicas para alavancar os negócios e interagir de maneira mais efetiva com os consumidores.

2 / Inteligência artificial e assistentes de voz: a próxima revolução digital

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Enquanto muitos ainda se perguntam por que conversaríamos com uma caixinha que interage por reconhecimento de voz, a Amazon Echo triplicou as vendas nos Estados Unidos: no começo de 2017, mais de 10 milhões de lares tinham Echo; agora, já são mais de 30 milhões.

Junto a isso, a Amazon aprimorou as milhares de habilidades de sua assistente, Alexa, que já pode realizar pagamentos e até mesmo remunerar produtores de conteúdo. Isso foi possível por conta do avanço da inteligência artificial, que permite integrar aprendizados e uma extensa gama de dados a dispositivos ultraconectados.

Com iniciativas como AutoML, Watson e Alexa Cloud Services as gigantes Google, IBM e Amazon já disponibilizam APIs de machine learning em nuvem. Para se ter uma ideia, a taxa de precisão de palavras do Google já igualou o limite de precisão humana, em 95%. Esse avanço permitiu que o CEO da empresa, Sundar Pichai, impressionasse o mundo inteiro em maio deste ano com o anúncio do Google Duplex, em que um assistente virtual interage por telefone como se fosse um humano.

Enquanto o Duplex é aprimorado, o Google disputa com as concorrentes Amazon e Apple a penetração dos assistentes de voz em lares domésticos, integrando o Assistant com diversos dispositivos. A Apple também não fica atrás: com o lançamento do HomePod, no ano passado, sua caixinha tem como diferencial a qualidade de áudio e o foco em conteúdo musical.

O que isso quer dizer para as marcas?

A evolução dos assistentes de voz caminha lado a lado com a evolução da internet das coisas (IoT). Cada vez mais os dispositivos devem interagir com o usuário, e a interface se dará primordialmente por voz através dos assistentes virtuais, que já podem ser considerados os sistemas operacionais de toda essa revolução.

Por ora, a integração com Alexa, Cortana (Microsoft) ou Assistant (Google) é inevitável - da mesma maneira que fabricantes de smartphones se apoiaram em iOS e Android. Para as marcas, fica o desafio de se comunicar de forma efetiva, resolver problemas de maneira mais prática e encontrar novas formas de se aproximar de seus consumidores por meio da tecnologia de reconhecimento de voz.

3 / Mais que bate-papo: apps de mensagens redefinem serviços e produtividade

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Ao longo dos últimos anos,, os aplicativos de mensagens ganharam incrementos importantes. No âmbito empresarial, eles já são responsáveis pela redução de uso de uma ferramenta ainda toma muito tempo dos profissionais: o e-mail.

O Slack, por exemplo, já conta com mais de 8 milhões de usuários pelo mundo e tem mostrado números expressivos. Empresas que adotam essa ferramenta aprimorada de mensagens usam 32% menos o e-mail, salvando tempo para tarefas mais produtivas.

Cada vez mais os apps de mensagem têm integrado novos serviços. Nesse sentido, a chinesa WeChat sai na frente, já que oferece sistemas de pagamento e até mesmo empréstimo pelo aplicativo.

Seja na troca de experiências em uma equipe de trabalho ou na interação com os consumidores, já não dá mais pra encarar apps como WhatsApp, Messenger ou Slack apenas como ferramentas de bate-papo. Eles têm participação cada vez mais consistente na produtividade das empresas e na resolução de problemas dos consumidores.

O que isso quer dizer para as marcas?

A criação do WhatsApp Business e o aprimoramento das ferramentas de chatbot têm feito com que as empresas repensem a forma de atender seus clientes e consumidores. A abertura de APIs de inteligência artificial de Google e IBM, por exemplo, pode ajudar as empresas a fazer da troca de mensagens uma ótima solução integrada ao SAC.

Para fazer isso de forma efetiva, é preciso desenvolver soluções personalizadas para os clientes, seja no atendimento humano ou por inteligência artificial. Bons chatbots têm que ser roteirizados de forma que dialoguem com os consumidores de forma mais natural possível levando em consideração diferentes contextos e personalidades. Afinal, as pessoas não querem interagir com máquinas com mensagens padronizadas, principalmente quando precisam resolver problemas.

4 / Consumidores estão mais propensos à fidelização se tiverem uma experiência superior

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Parece ironia que, em tempos em que o surgimento de novas startups continue crescendo, os consumidores se prendam mais a determinadas marcas. Netflix e Spotify, por exemplo, têm conquistado cada vez mais os usuários com a combinação de user experience (UX), big data analytics e recomendações personalizadas.

As duas plataformas ainda usam o conceito de freemium, que tem se comprovado eficiente quando integrado a uma experiência superior de produto ou serviço. Isso permite que, em um primeiro momento, as pessoas usufruam de parte do conteúdo disponibilizado de graça. A partir dessa interação, surge a decisão de pagar para ter acesso ao extenso conteúdo que somente o usuário premium dispõe. O Spotify, por exemplo, conseguiu converter importante fatia de usuários free para usuários premium, atingindo 70 milhões de assinantes.

Além disso, empresas importantes de jornalismo, como The New York Times e Washington Post, reportam um bom crescimento no número de assinantes digitais - prova de que o consumidor busca, sim, fidelizar-se a empresas que produzem conteúdo de qualidade, mesmo que tenha que pagar por ele.

O que isso quer dizer para as marcas?

Ao se lançar no universo digital, as marcas competem em atenção e expectativa com os melhores players do segmento. A exigência está mais alta por parte do público, pois, com a explosão da mobilidade e da acessibilidade a internet, todos agora têm acesso a apps e serviços de excelência.

Em termos de user experience (UX), podemos dizer que o produto é o marketing em diversos aspectos. Hoje, o consumidor espera das marcas convencionais nada menos do que é oferecido pelos apps que já fazem parte do seu dia-a-dia, como Spotify, Netflix, Uber e tantos outros.

Já investir na produção de conteúdo original e diferenciado permite, por exemplo, que a marca prove ser autoridade no ramo em que atua, além de aumentar as possibilidades de engajamento e de ser encontrada nos buscadores.

5 / A inovação do e-commerce no processo de compra

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Cerca de 49% das pessoas que pesquisam produtos para compra on-line fazem isso diretamente pelo site da Amazon, contra 36% por Search Engines. Numa era em que pagamentos digitais (60%) já superam os físicos (40%), o e-commerce tem desempenhado um papel crucial na forma com que atrai o consumidor.

Segundo o report de Meeker, cada vez mais pessoas têm feito compras pela internet após assistirem a vídeos no YouTube. Muitas marcas perceberam isso e investiram no formato video enabled que, além do preço, reúne as informações necessárias para que os consumidores conheçam o produto ou serviço antes da aquisição.

As redes sociais, em geral, cada vez mais são encaradas como fontes de descoberta de novos produtos. Em 2017, 55% das pessoas que descobriram algum produto pelas redes sociais acabaram realizando a compra - 11% desse percentual fez a compra de forma imediata.

Parte dessa aquisição atribui-se ao fato de que as marcas estão dialogando de forma mais efetiva com os consumidores no digital. As pessoas têm melhor experiência de compra quando elas estão aliadas ao entretenimento e informação - tanto que a categoria shopping lidera, no mobile, o crescimento das sessões de aplicativos, superando por exemplo música e negócios.

O que isso quer dizer para as marcas?

Disponibilidade e diálogo são as palavras de ordem para marcas que desejam ter sucesso no varejo digital, demandando presença em diferentes pontos de contato como websites, apps e redes sociais, além de experiências digitais no varejo físico.

Isso vale também para os meios de pagamentos. A base de usuários da Coinbase, por exemplo, uma exchange de criptomoedas, mais que quadruplicou em 2017. Isso tem elevado a aceitação das moedas digitais, como Bitcoin, Etherium e tantas outras. Cada vez mais as marcas (e os consumidores) têm usado esses novos sistemas de pagamento, elevando sua penetração de mercado.

Paralelo a isso, as marcas de vanguarda têm apostado na criatividade dos diversos formatos de conteúdos nas redes sociais. Um stories no Instagram ou um canvas no Facebook, por exemplo, já funcionam como efetivas vitrines virtuais, que atraem cada vez mais compradores.

6 / Mobile domina investimentos em mídia digital

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Quando se fala em publicidade digital, o mercado sinaliza amadurecimento em priorizar métricas de qualidade de clientes (customer lifetime value - LTV) com relação a volume (de leads ou tráfego).

Os investimentos em publicidade digital crescem na casa dos dois dígitos por ano, com mobile ficando com a maior fatia do bolo.

Agora, por mais que o mobile seja cada vez mais onipresente em nossas vidas, ainda existe um imenso gap entre tempo de uso versus investimento. Ao comparar o tempo gasto nos smartphones com o investimento em publicidade mobile nos EUA, o relatório Internet Trends apresenta um dado interessante: há uma janela de oportunidade na equivalência dos dois fatores, que somaria US$ 7 bilhões.

O que isso quer dizer para as marcas?

Que, claro, é preciso não só investir mais no canal mobile como também explorar melhor os seus recursos.

Foi-se o tempo em que o smartphone funcionava como segunda tela. Com o mobile first, surgiu a necessidade de adaptar-se ao formato vertical dos telefones. A ampla adoção dos Stories em redes sociais como Instagram e Snapchat redefiniram a linguagem das fotos e vídeos que os usuários compartilham globalmente.

Junto a isso, entender e explorar o mobile como parte de toda a jornada de compra e experiência com as marcas. Desde recursos como geolocalização, personalização, gamificação e até exploração das realidades virtual / aumentada, as oportunidades são inúmeras.

7 / Economia colaborativa e flexibilização de trabalho

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Dois serviços se destacam quando o assunto é economia colaborativa: Uber, que permitiu que os milhões de motoristas cadastrados pudessem administrar melhor seu tempo e suas economias; e Airbnb, que impactou sensivelmente o segmento hoteleiro ao permitir que as pessoas disponibilizem suas propriedades para hospedagem.

Segundo levantamento do Uber, apresentado por Mary Meeker, 80% dos motoristas já tinham emprego antes de se cadastrarem: 91% deles entraram com o objetivo de ter uma renda extra, enquanto 87% reportaram a necessidade de flexibilizar melhor suas horas, algo incompatível no mercado de trabalho tradicional.

O que isso quer dizer para as marcas?

As redes de hospedagem e de transportes são apenas o começo da adoção em larga escala da economia colaborativa. Cada vez mais as pessoas têm se desprendido das propriedades: os carros, por exemplo, não precisam mais estar nas garagens das pessoas para que elas possam se locomover com facilidade.

A transição de propriedades para serviços deve se expandir para outras áreas. Tudo isso é possível, claro, porque vivemos em um mundo cada vez mais ultraconectado.


Internet Trends 2018 Report from Kleiner Perkins Caufield & Byers


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