AdBlockers x MindBlockers

Os números mostram que as pessoas não querem ser interrompidas nem perder tempo, querem escolher.

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Artigo originalmente publicado no Propmark em 01/07/2017. Por Paulo Martinez, fundador e Chief Operating Officer da Agência Ginga.


Muito se discute sobre o futuro da propaganda frente aos Adblockers, dispositivo bloqueador de anúncios instalado em 1/4 dos computadores e smartphones ao redor do mundo, segundo estudo do Reuters Institute, conduzido pela Universidade de Oxford. O crescimento dos Adblockers é algo vertiginoso, 30% ao ano segundo o Adblock Report, atingindo 615 milhões de devices globalmente, sendo 61% dispositivos móveis e 39% desktop.

Os números mostram que as pessoas não querem ser interrompidas nem perder tempo, querem escolher. Hoje em dia, só acreditarão em determinado produto ou serviço quando realmente testado e aprovado por consumidores de verdade, pelos amigos e familiares, pelos “chatos" de plantão das redes sociais.

Se estamos na era do conhecimento, da informação abundante, era de se esperar o aumento na exigência dos consumidores. Adblockers são apenas um reflexo de algo bem maior, um dispositivo de defesa instalado naturalmente na cabeça dos consumidores, o MindBlocker.

Bilhões de MindBlockers mundo afora ignoram um sem número de propagandas chatas, de discursos antiquados, de celebridades fazendo merchan nas redes sociais, da perseguição do remarketing infinito, dos compre já, clique aqui e baixe agora.

No entanto, não devemos desanimar, pois há formas de furar os MindBlockers, conquistando, assim, a atenção e a simpatia dos consumidores. Para tanto, devemos entregar menos campanhas e mais informação, entretenimento e serviço.

Em tempos onde o produto é o marketing, sobreviverão aqueles que souberem entregar conteúdo e serviço de qualidade para seus consumidores.

O termo content is king nunca foi tão verdadeiro, as possibilidades são infinitas. Veremos cada vez mais marcas fazendo seriados, documentários e experiências em realidade virtual, só para citar alguns exemplos. O realtime também ganha força. É o poder do agora, do ao vivo, na palma da mão. É como se cada marca fosse um publisher, uma espécie de emissora de televisão, só que ultra moderna.

Na esfera dos serviços, as marcas vencedoras devem transformar seus negócios digitalmente, criando aplicativos e plataformas de negócios que coloquem o consumidor no centro da estratégia, agregando experiência e facilitando, de fato, a vida das pessoas. O ecossistema de startups está aí para provar que é possível.

Para furar os MindBlockers dos consumidores, nós, profissionais de marketing e propaganda, devemos deletar os nossos próprios dispositivos de defesa, entregando um novo formato de comunicação e negócios.